quarta-feira, 20 de abril de 2022

Meus remédios e minha montanha.

Olhando minhas duas cartelas de remédios.

Olhando e me remetendo a tantas imagens dos meus avós, os únicos velhos com quem eu convivi intimamente.

Como vejo importante essa experiência. Porque me faz ter outros olhares, mais amigos, mais compreensivos e amorosos sobre esse processo de tomar remédios. Sobre esse processo de ver o corpo sendo gasto, gastando, desgastando, se engastando pelo atrito do tempo, e enxergar o refino disso. O diamante esculpido no final.

Meus remédios.

Os desdobramentos filosóficos são os óbvios. Os mesmos dos puristas alpinistas do Everest, que olham com desaprovação os alpinistas que usam aparelhos para respirar naquela altitude, alegando que o processo mais “natural” seria mais digno de mérito.

Eu acho que todos devemos respirar e conquistar alturas.

Parabéns para os valentes da vanguarda, mas não me atrapalhem quando eu for tirar minha foto no cume do Everest.

PS: Que escalem nus e congelem de dignidade. São os mesmos que atiram pedras de olhos fechados. 


Nenhum comentário: