segunda-feira, 12 de março de 2018

Em Lolita de Nabokov, o protagonista comenta: "Conquanto jamais pudesse acostumar-me ao constante estado de ansiedade em que vivem as pessoas culpadas..."

Esse pensamento, como uma nota musical que pode se harmonizar em tantas diferentes canções, reverberou como um sino no meu subconsciente desperto. Iluminava com brilho de constatação, que eu era viciado em ansiedade. Se bem que isso, eu já sabia. Me faltava entender de onde vinha um certo fardo de culpas que eu me sentia colecionar sem uma razão clara aparente... Isso me parecia esclarecer parte do meu peso atômico natural.

Sim, eu poderia facilmente ser incluido na tabela periódica, em algum grupo que relacionasse metais pesados, porém flexíveis. Um tipo de personagem  de ficção científica mesmo - o vilão de Exterminador do Futuro 2.. Não sua maldade, óbvio. Sem ignorar minhas próprias vilanias, pois todos somos humanos.

Fato era que ele se impressionava em se ver tão viciado em ANSIEDADE. Talvez fosse a consequência de uma infância em que sempre fora estimulado por seu pai a enfrentar o inimigo, e o inimigo sempre foi claro pra mim. Meu inimigo era o medo. E eu era muito medroso. Não sei explicar. Eu sempre fui muito medroso.

Sorte eu dei de me viciar em ansiedade. Pois nada me deixava mais ansioso do que ser forçado, na pedagogia marcial do meu pai, a encarar meu medo. E hoje vejo que os esportes e atividades que eu gostei de fazer me metiam bastante medo. Medo o suficiente para me ocuparem por muito tempo no exercício da dominação daquele medo. De forma persistente, gradual, dedicada, até obter uma sensação de conforto. Até quando já não me metiam mais medo. Adrenalina, dizem alguns. Eu tiro adrenalina do enfrentamento constante dos meus medos. No medo que eu tenho do mar, na culpa que sinto quando não cumpro uma tarefa, e por isso, me entupo de tarefas... E por ai vai - desenvolver mais.

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