quarta-feira, 18 de junho de 2008

Descoberta mais fantástica

Que coisa impressionante. Que maravilha do universo será esta? Com apenas a minha vontade sou capaz de mover esse estranhíssimo objeto, que nem sei bem o que é! Parece interligado a mim, semelhante a um apêndice com outros apêndices menores, totalmente independentes. E o tempo de resposta? Praticamete instantâneo! O que será que é possível fazer com ele? Oh! Ele se abre e fecha, e se movimenta pra frente e pra trás! Fantástico! Não faço idéia ainda de todo seu potencial, mas já estou deslumbrada. Interessante... acho que já o possuo há certo tempo, mas só agora me dei conta que está aqui, perto, a todo instante, e que me obedece. Muito bom.

Ops. O que é isso? Músicas e cores brilhantes? Vamos deixar o apêndice para depois, pois acho que vem coisa interessante por ai. Sendo muito franca, estou aqui há pouco tempo, mas já deu pra perceber que o local é repleto de milagres. Acho que vou me divertir muito ainda!

Bem, talvez não exatamente assim, mas creio que algo bem parecido devia passar na cabeça de minha filha, aos seus poucos, talvez 4 ou 5, meses de vida, quando a flagrei deitada sobre meu peito, perdida em olhares concentrados para sua própria mão, a qual abria e fechava, experimentando cada um de seus dedos e possibilidades. Não posso saber os detalhes (graças a Deus não leio pensamentos - seria impossível viver em harmonia na sociedade se soubéssemos o que cada um está pensando), mas tive certeza absoluta que ela estava, pela primeira vez, se dando conta de que era a dona daquela mão. Que aquela ferramenta versátil era dela. Algo externo a ela, supostamente, mas sob seu domínio. Que fantástico!

E me dei conta também das maravilhas e dos milagres que não mais percebemos, que desaprendemos a apreciar, de tão banais que são, como por exemplo, comandar um corpo inteiro apenas com sua própria vontade. Me encantei duplamente: por estar ali, testemunhando uma descoberta avassaladora de minha filha - sua própria mão - e por poder resgatar, através do seu exemplo, o meu próprio deslumbramento com o presente de estar vivo, e ser capaz de apreciar tudo, até as coisas mais triviais. Ou, principalmente estas.

Nem preciso dizer que foi minha vez de ficar olhando para minha própria mão, imitando minha filha, abrindo e fechando meus dedos, enquanto me perdia em meus próprios pensamentos, em devaneios sobre a maravilha que é acompanhar o crescimento de uma filha, sobre esses pequenos e incríveis milagres da vida, e em como o próprio ritmo da vida, e a sua abundância de situações e demandas acaba por nos fazer esquecer de apreciar tantos milagres.

Pois é. Parece um paradoxo. Milagres deveriam ser coisas raras. Mas, se nos permitirmos olhar o mundo com os nossos esquecidos olhos de criança, perceberemos que eles são infinitos! Pode parecer uma constatação piegas, talvez, mas verdadeira com certeza.

E viva estar vivo!

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