Deus é o ponto de conforto estável de uma estrutura absoluta do universo flexionada pelo somatório de suas pressões agregadas. Etc.
Eternamente em construção.
As ideias são fugazes.
Talvez sejam da mesma matéria que a fumaça quente que sai da caneca.
Uma ideia se esvai entre tê-la e conseguir a página para escrever.
E já não lembro mais o que eu queria registrar.
Paciência. Mas valeu o exercício.
Não foi sobre não emprestar dinheiro a amigos, nem sobre nunca ser fiador exceto de família, e mesmo assim... Nem foi sobre usar ou não protetor solar.
Foi sobre botar bastante tomada na casa, por ocasião da reforma do meu primeiro apartamento. Isso, em 2008, 2009... era então uma opinião visionária.
Ainda não tinhámos tantos aparelhos móveis, tanta necessidade de recarga (ou carga contínua!) de energia e nem em tantos lugares variados como hoje. Mas havia sinais, realmente.
Pense que o primeiro smart phone foi lançado em 2007!
Foi a melhor coisa. Em minha casa, minha qualidade de vida é melhor. Minha vida é fácil por viver numa casa que tem tomada em tudo que é lugar e além! Tem onde a mais, onde precisa de mais, e em posição mais acessível. No antigo padrão, quase tudo ficava no rodapé. Em apartamentos mais antigo, um quarto poderia ter duas tomadas, se tanto.
E mesmo assim, hoje em dia faltam mais uma ou até duas... e então lembro do meu amigo e de seu bom conselho!
Foi, disparado, o melhor conselho que escutei na vida.
E todo conselho que encaminha a vida pro mais fácil, é bom.
Sem jeito.
Debaixo d'água. Com água turva. Apavorado com o monstro que você não enxerga no mar, que é primo em primeiro grau do monstro que mora embaixo da cama. Que existe. E precisa ser vencido.
Foi assim que eu tive que fazer o meu primeiro Lais de Guia pra valer.
No meu batismo de mar durante o curso básico de mergulho. Na Urca.
O Lais de Guia tem isso. Você aprende, ou acha que aprendeu, e na hora da situação, ele não aparece.
Em algum momento, de maneira que eu não seria capaz de repetir a época, eu acertei o nó. Depois de algumas tentativas. Isso debaixo d'água. Cheio de adrenalina por tudo e tudo em volta de tudo. Sem enxergar nada, ou tanto quanto uma sopa de ervilha permitiria. Uma sopa rala de ervilha, pra ser exato.
Isso foi em fevereiro de 1994.
Em 12 de Janeiro de 2025 eu aprendi de fato o Lais de Guia. Velejando pela segunda vez. Ou melhor, aprendendo a montar um dingue antes de velejar pela segunda vez. Na Marina da Glória.
Muito legal!
Não importa o que seja. Quanto tempo leve. A utilidade. A idade. Perceber que você aprendeu algo de fato, é sensacional. Ainda mais a dar um nó necessário!
A Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro é incrível também. Há bastante tempo.
Hoje tive aula de como montar o dingue.
Isso depois de ter aulas teóricas, e aprender a dar três nós importantes pra velejar: de Oito, Direito e Lais de Guia.
Não sei explicar porque, mas adorei aprender a montar o Dingue. Encaixar as peças, acrescentar os cabos, tensionar, ajustar. Prestando atenção no vento, nos detalhes, sem pressa, pra não esquecer nada, se deixar se dedicar ao processo de preparação da embarcação. Como quem faz um checklist de avião.
Pra voar com o vento.
Pra navegar com o vento.
PS: Nó é uma arte bonita.
Ela passou! E o exercício da Paternidade. Com P maiúsculo!
Depois de muito esforço e aplicação, com doses de angustia e ansiedade, e ate um pouco de sofrimento.
Ela mereceu.
Ela se esforçou, se dedicou de verdade. Com tudo de bom e ruim que isso possa trazer pra cada um.
E conseguiu.
Eu fiquei muito feliz. Mas precisei dizer algo forte:
- Houve momentos que eu nao sabia se devia torcer pra voce passar ou pra você nao passar. Nao sei se o maior premio nao era aprender a resiliência de se dedicar, nao passar, e se aplicar em dobro pro próximo.
Essa ultima parte foi dita de forma menos dramática. Mas foi dita.
Sei que isso a marcou.
A gente espera que seja para o melhor. Mas tudo é uma aposta.
A melhor que vemos.
Desde quando minha filha era pequena, eu dizia: "filha, papai não tem tudo. Mas sempre que você quiser um livro, pode me pedir que eu te dou!".
Passou na primeira fase da OAB e pediu ajuda pra pagar um curso preparatório pra segunda fase.
Fiquei muito encantado de acompanhar isso; acontecendo pra ela. O estudo, a ansiedade, a super cobrança, a dedicação e, graças à Deus, o resultado.