Ninei minha filha ao som de Você, de Tim Maia.
Na fase de aprender a dormir sozinha, ofereci o conforto da voz de Billie Holiday. E aí, na adolescência, vivendo intensamente suas ansiedades, volta e meia pedia: pai, põe a Billie Holiday?
(É boa essa sensação de que a pessoa gostou de verdade do presente dado. Me deu um certo orgulho também, admito).
Universitária, e com a sensação de carregar a culpa do mundo nos ombros, no fim do ano se sentiu pesada e séria. E triste. Uma tristeza sem sentir capaz de dizer de onde era. Era de tudo. Não sabia porque. Mas com um pouco de colo, uma curadora de alma, um pouco de juventude, e a leveza vai voltando. Devagar.
Hoje dorme um domingo preguiçoso, entocada no seu quarto, curando uma virose de verão. Resolvi contrabandear para seus ouvidos um pouco de Miss Sarajevo, do U2, para que ela possa sentir a alma levitar ao som de Luciano Pavarotti. Sorrateiramente.
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