Minha Copacabana.
Copacabana.
Bairro Peixoto: Mirante.
Do alto do meu bloco, no meio da baía, enxerga-se uma mitocôndria.
O organismo social. Todas as estruturas.
Todas as hierarquias e sub-hierarquias.
Todas as categorias e sub-categorias.
Todos os rótulos de todos os livros.
Todas as alíneas e caputs e caputs da côrte.
Tudo está no que alcança a minha vista.
Da favela, passando pelo bairro antigo e suas praças e bordéis,
até as coberturas da Avenida Atlântica.
Tudo está aqui!
E mesmo assim passa por vagabunda.
Copacabana, princesinha linda do meu mar!
Dessa praia que eu nunca gostei porque é praia de caixote,
Tudo isso é você.
sábado, 25 de julho de 2020
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Primos e ego
Esboço I - Primos e egos
A melhor parte é saber antecipadamente que a analogia com a matemática para a devida compreensão desse texto, irá eliminar 88% dos haters. Por constrangimento mesmo. E menos barulho é sempre bom.
Vivemos tempos de mudança! Vivemos tempos de turbulência! Vivemos tempos de ruptura! De até mesmo, e até essa estampa está ficando cotidiana, de inovaçâo disruptiva! Muitas analogias, todas clichês, para tentar explicar coisas desse momento que vivemos. E aqui vai mais uma observação sobre as lentes de mais uma analogia.
Todos querem ser únicos! Estão dispostos a tudo! O Ego absoluto de serem reconhecidamente únicos! Admirados! Invejados! Amados! E no entanto, tristemente nao enxergam que sempre tiveram o que pediram! Sao todos únicos. Como todo e qualquer número! Todos! Únicos! Tudo bem que nao sao primos. Sao o resultado de várias colaborações que geraram, se pudermos esticar as cordas, uma média única, mas nem tanto original. Parecida com outras, de tantas formas. Igual de várias maneiras! Ah, sim, você também é par! E voce, também é dividido por 27? Poxa, um grupo muito especial todos eles. Isso é demais. Porque isso representaria dividir um pouco do seu ego, da sua “originalidade”, quando no entanto nem chegam perto de compreender o que é um número primo! Aquele que só é divísível por ele mesmo, e em todo o universo! E por ele, claro, o um. Isso, sem dúvida, é muito especial! Imagine voce, aspirante a único, compreendendo que um primo sim, esse é único. A exuberância sentida, uma a energia solar, o absoluto!
Coitados. Pra começar, são infinitos É uma questão de ter paciência e prestar atenção em sua excentricidade e facilmente identificar cada um. Um, mais separado do outro! Não por egoísmo. Nem se enxergam.
E nem me peça pra falar das dízimas não periódicas: Imprevisíveis! A coisa se perde e chega a escapar da vista mesmo! E coisa de aceitar a diversidade mesmo. Ela existe. Ninguém é melhor do que ninguém porque é diferente. Todo mundo é único. E tudo bem.
A melhor parte é saber antecipadamente que a analogia com a matemática para a devida compreensão desse texto, irá eliminar 88% dos haters. Por constrangimento mesmo. E menos barulho é sempre bom.
Vivemos tempos de mudança! Vivemos tempos de turbulência! Vivemos tempos de ruptura! De até mesmo, e até essa estampa está ficando cotidiana, de inovaçâo disruptiva! Muitas analogias, todas clichês, para tentar explicar coisas desse momento que vivemos. E aqui vai mais uma observação sobre as lentes de mais uma analogia.
Todos querem ser únicos! Estão dispostos a tudo! O Ego absoluto de serem reconhecidamente únicos! Admirados! Invejados! Amados! E no entanto, tristemente nao enxergam que sempre tiveram o que pediram! Sao todos únicos. Como todo e qualquer número! Todos! Únicos! Tudo bem que nao sao primos. Sao o resultado de várias colaborações que geraram, se pudermos esticar as cordas, uma média única, mas nem tanto original. Parecida com outras, de tantas formas. Igual de várias maneiras! Ah, sim, você também é par! E voce, também é dividido por 27? Poxa, um grupo muito especial todos eles. Isso é demais. Porque isso representaria dividir um pouco do seu ego, da sua “originalidade”, quando no entanto nem chegam perto de compreender o que é um número primo! Aquele que só é divísível por ele mesmo, e em todo o universo! E por ele, claro, o um. Isso, sem dúvida, é muito especial! Imagine voce, aspirante a único, compreendendo que um primo sim, esse é único. A exuberância sentida, uma a energia solar, o absoluto!
Coitados. Pra começar, são infinitos É uma questão de ter paciência e prestar atenção em sua excentricidade e facilmente identificar cada um. Um, mais separado do outro! Não por egoísmo. Nem se enxergam.
E nem me peça pra falar das dízimas não periódicas: Imprevisíveis! A coisa se perde e chega a escapar da vista mesmo! E coisa de aceitar a diversidade mesmo. Ela existe. Ninguém é melhor do que ninguém porque é diferente. Todo mundo é único. E tudo bem.
domingo, 2 de fevereiro de 2020
Pequenos presentes espontâneos
Ninei minha filha ao som de Você, de Tim Maia.
Na fase de aprender a dormir sozinha, ofereci o conforto da voz de Billie Holiday. E aí, na adolescência, vivendo intensamente suas ansiedades, volta e meia pedia: pai, põe a Billie Holiday?
(É boa essa sensação de que a pessoa gostou de verdade do presente dado. Me deu um certo orgulho também, admito).
Universitária, e com a sensação de carregar a culpa do mundo nos ombros, no fim do ano se sentiu pesada e séria. E triste. Uma tristeza sem sentir capaz de dizer de onde era. Era de tudo. Não sabia porque. Mas com um pouco de colo, uma curadora de alma, um pouco de juventude, e a leveza vai voltando. Devagar.
Hoje dorme um domingo preguiçoso, entocada no seu quarto, curando uma virose de verão. Resolvi contrabandear para seus ouvidos um pouco de Miss Sarajevo, do U2, para que ela possa sentir a alma levitar ao som de Luciano Pavarotti. Sorrateiramente.
Na fase de aprender a dormir sozinha, ofereci o conforto da voz de Billie Holiday. E aí, na adolescência, vivendo intensamente suas ansiedades, volta e meia pedia: pai, põe a Billie Holiday?
(É boa essa sensação de que a pessoa gostou de verdade do presente dado. Me deu um certo orgulho também, admito).
Universitária, e com a sensação de carregar a culpa do mundo nos ombros, no fim do ano se sentiu pesada e séria. E triste. Uma tristeza sem sentir capaz de dizer de onde era. Era de tudo. Não sabia porque. Mas com um pouco de colo, uma curadora de alma, um pouco de juventude, e a leveza vai voltando. Devagar.
Hoje dorme um domingo preguiçoso, entocada no seu quarto, curando uma virose de verão. Resolvi contrabandear para seus ouvidos um pouco de Miss Sarajevo, do U2, para que ela possa sentir a alma levitar ao som de Luciano Pavarotti. Sorrateiramente.
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