Ah, a antecipação de fazer 50 anos... Espasmos de reflexão têm me atingido.
Essa semana mesmo, numa consulta a uma geriatra em que levei minha mãe, a avaliação foi: "sua mãe tem um quadro psicótico claro!". Meu irmão? Omisso. Isso uma semana após uma bronca minha, reclamando da omissão dele! E o que ele faz? Nada. Não se apresentou ainda. Não é com ele. Permanece omisso, escondido debaixo do manto mágico das "justificativas justas de um cavalheiro da ordem da verdade absoluta". Sentiria vergonha se isso não me irritasse tanto. Mas estou amadurecendo, como disse no início. Aprendi que é mais prático aceitar que 80% das pessoas (sim, sou um otimista!) são inimputáveis e com isso tirá-las da frente: se não atrapalharem, já estão contribuindo. Estou quase lá com meu irmão. Só falta esperar se desintegrar aquele último grão de respeito que eu tinha porque ele é meu irmão mais velho. Falta bem pouco.
Meu pai? Fará 80 anos no próximo mês: surdo de um ouvido, com a coluna sequelada, tratado de um câncer na bexiga, cardíaco e começando a esquecer algumas palavras e nomes no meio de cada frase. Bem, esse seria o quadro normal dele. No momento, entretanto, está tratando uma depressão que o impede de apreciar melhor a vida com essas condições normais. Omiti propositalmente a questão de suas experiências para tratar um quadro importante de hemorroidas porque fico desconfortável com o tema. Como fiquei, também, aos 16 anos, quando fiz companhia para meu avô em uma de suas internações hospitalares e ele se sujou todo no banheiro. Após um silêncio de provável embaraço para ele, não teve jeito senão pedir, constrangido, a seu neto, que buscasse um enfermeiro para vir limpá-lo, tão fraco estava.
Acredito que me não mencionei que meu pai não fala mais com meu irmão, e por extensão, com ninguém da família dele. Nem com a nora, nem com nenhum dos 3 netos, filhos do meu irmão. Há uns 3 ou 4 anos já. Cansou de se sentir desrespeitado pelo meu irmão. Demorei a entender a causa de uma medida tão extrema e achava, no início, que eram apenas dois bicudos com temperamento forte. Mas estou começando a entender meu pai, infelizmente.
De minha parte, eu estou muito bem de saúde. Mas estou desempregado num país que enfrenta sua pior crise econômica que se tem lembrança. Isso incomoda, não restam dúvidas. Moro numa cidade castigada pela violência e pela corrupção do Estado. O clima de desamparo enfrenta a resistência apenas das maravilhas da geografia da cidade. Em uma cidade mais cinza seria pior. Aqui se vai levando.
Minha filha de 17 anos, redime todo esse quadro geral. Mesmo com os desafios naturais da adolescência, dando seus tropeços aqui ou acolá, ela quer de verdade salvar o mundo! E isso é bom! De fato, me basta!
PS: Ontem perdi as bodas de prata de um amigo querido de colégio. Não estava com espírito para celebrar. Uma pena.
domingo, 24 de junho de 2018
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